O Jornal da EPTV entrevistou nesta segunda-feira (17) o candidato à Prefeitura de Ribeirão Preto (SP) João Gandini (PT) da coligação “Inova Ribeirão”. A entrevista, feita ao vivo pelos apresentadores Danilo Scochi e Lucieli Dornelles, foi a primeira de uma série com os candidatos da cidade. Confira a transcrição da entrevista.
Danilo Scochi: Boa tarde candidato.
João Gandini: Boa tarde.
Danilo Scochi: O primeiro tema que eu gostaria de destacar é com relação à educação. O Ministério Público tem um levantamento de em média 20 a 30 pedidos de famílias que querem colocar as crianças nas creches. Como resolver esse problema?
João Gandini: Nós temos hoje em Ribeirão, pelo MEC [Ministério da Educação], 3.645 vagas em creches faltando, 20 para 4 e 5 anos e 3.625 para 5 meses a 3 anos e infelizmente a prefeitura não construiu creches suficientemente, não atendeu a necessidade da população e o Ministério Público e o Conselho Tutelar vem sendo acionado e o Ministério Público tem entrado com ação, o juiz tem dado a liminar e mandado cumprir essa obrigação, que é uma obrigação constitucional.
Danilo Scochi: Dá para resolver esse problema?
João Gandini: Dá para resolver, eu imagino que tenhamos que fazer, em média, é claro que uma creche é maior outra é menor, mas em média 17 creches com 200 alunos cada uma. Isso é perfeitamente possível, construir e manter, não teria maior dificuldade. Eu acho que é uma questão de gestão pública mesmo, preocupação com o mais pobre.
Danilo Scochi: A questão do Ensino Fundamental é de responsabilidade do município. Como melhorar essa situação também? Qual a proposta do seu governo, caso eleito?
João Gandini: A grande questão do Ensino Fundamental é com a qualidade. Nós temos um plano municipal de educação discutido e votado em 2007 e 2008 que durante todo esse governo não foi colocado em prática, então precisa ser revisto logo no começo do governo e colocado em prática. Nós não temos, por exemplo, o estatuto do magistério municipal, precisaremos pensar nisso. Treinar e retreinar professores, porque em toda profissão você tem que se manter atualizado, nós não temos tido isso. Então, são vários itens ligados a questão da qualidade e o mais importante, a gente sabe que o mais importante dos itens é você escolher bem o diretor da escola e os diretores aqui são escolhidos por critério político e não por critério de mérito.
Lucieli Dornelles: Saúde agora candidato, Ribeirão Preto atendeu no ano passado menos da metade dos pacientes em atenção básica do que foi prescrito no plano municipal de saúde. Isso acaba, a gente sabe, lotando os postinhos e prejudicando, principalmente, o pronto atendimento. O senhor tem um plano emergencial para resolver essa situação?
João Gandini: Sim. Nós temos um problema, você tocou no ponto mais crucial, eu disse isso uma vez em Brasília (DF) num congresso e disse: o Brasil gasta mais com doença do que com saúde. É preciso reverter essa lógica e a lógica é investir pesadamente, fortemente na atenção básica. È claro que você não consegue fazer isso de uma hora para outra porque você tem dois investimentos ao mesmo tempo: prevenção e a correção do problema. Prevenção demora mais tempo e a correção você faz mais rápido. Hoje as pessoas vão muito à UBDS (Unidade Básica Distrital de Saúde) justamente porque ela não tem o serviço de Saúde da Família não tem o agente comunitário de saúde vindo à casa dela o Serviço de Atendimento Domiciliar, o SAD precisa melhorar. Se você mexer nesse ponto, num prazo relativamente pequeno você já vai ter uma saúde bem melhor do que tem hoje. 30% das pessoas que marcam consultas não comparecem e, no entanto, não há um sistema de gestão para melhorar isso, para substituir essas pessoas por outras. Quer dizer, se você corrigir esse problema você já diminui 30% das filas.
Lucieli Dornelles: Unificar o atendimento de saúde também seria uma saída já que hoje a responsabilidade o município empurra para o Estado e o Estado empurra para o município?
João Gandini: Não. Todo o sistema do SUS [Sistema Único de Saúde] é tripartite, é um sistema que você prevê três níveis de decisão, de oferta, de serviços, então não é questão de unificar. Eu acho que unificar a questão da regulação que hoje é uma briga entre o município e Estado para onde a pessoa vai e a pessoa está lá em uma maca esperando, isso tem que ser feito imediatamente. Quem for acionado, seja a União, o Estado ou município, tem que atender o cidadão corretamente, rapidamente, dentro de um padrão civilizado de atenção ao usuário.
Danilo Scochi: Bom candidato, eu vou aproveitar o tema saúde, mas também para falar de planejamento de cidade. Nós sabemos que dos acidentes que acontecem nas cidades, principalmente aqui em Ribeirão Preto, esses acidentes ocupam muitas vagas no setor da saúde e muitos acidentes acontecem até pela qualidade do nosso asfalto. Qual a proposta do candidato para que se melhore e não se gaste tanto com relação à qualidade do asfalto?
João Gandini: Nós temos um problema de mobilidade urbana em Ribeirão e que está ligado ao problema do orçamento. O orçamento nosso é muito mal aplicado, nós temos um dos maiores orçamentos do país e a cidade está ruim em todos os setores, na educação, na saúde, na mobilidade urbana, no transporte coletivo, na segurança, quer dizer, você vai resolver o problema de mobilidade se você resolver o problema orçamentário. Tem um déficit fiscal mês a mês, ano a ano, isso tem que terminar.
Danilo Scochi: Hoje o levantamento para consertar o asfalto é de R$ 40 milhões. Como fazer isso?
João Gandini: Se você pensar em um orçamento de R$ 1.740 bilhão, que é o orçamento do ano que vem, R$ 40 milhões não é muito. O que nós temos visto na cidade é investimento do Governo Federal, um pouco do Governo Estadual e às vezes até da Câmara Municipal que devolve dinheiro para a prefeitura. Onde está indo o dinheiro do nosso orçamento, que é um dinheiro muito grande? Então tapar buraco é importante, mas é preciso recapear a cidade, fazer uma coisa definitiva e não ficar enxugando gelo. O que tem que tem faltado é gestão, é administração mesmo.
Lucieli Dornelles: Já que estamos falando de cidades, hoje, segundo o Ministério Público candidato, só 1% do lixo é reaproveitado aqui em Ribeirão Preto. Como resolver isso?
João Gandini: Nós temos aqui em Ribeirão dois grandes problemas. Um é a água e o outro o lixo. A coleta seletiva atinge 1% do lixo de ribeirão que é de 600 toneladas dia. Tem cidades brasileiras que já 35%, Los Angeles recicla 66%, caminha em 2020 para 89%, por tanto nós temos muito a avançar e dá para avançar relativamente rápido se nós fizermos algumas providências como, por exemplo, fazer convênios com igrejas, com escolas, com clubes de serviço. Isso dá para fazer relativamente rápido. E o problema da água que é um problema gravíssimo. Está faltando água na cidade inteira, eu vejo pela cidade, eu corro pela cidade o dia inteiro, esgoto vazando, estou vendo água vazando e situações realmente muito graves.
Lucieli Dornelles: E estaria nos seus planos substituir a rede de água, já que ela é apontada como muito antiga?
João Gandini: É, eu acho assim, é preciso investir. Diz que político não gosta de investir embaixo da terra porque não dá voto. Político profissional tem o olho no voto, o estadista tem o olho na história. Ribeirão tem o Aquífero Guarani, que é um dos maiores patrimônios da nossa região e do país e do mundo e, no entanto, estamos recolhendo, a cada 100 litros que recolhemos o DAERP [Departamento de água e Esgoto de Ribeirão Preto] perde metade disso depois de tratar e aí a cidade inteira fica sem água. É claro que nós vamos investir nisso e reduzir a pressão dos reservatórios, reduzir a pressão dos canos, trocar os canos antigos por novos, isso é uma coisa que tem que ser feita e em quatro anos é fatível.
Danilo Scochi: Candidato, o senhor falou sobre obras em baixo da terra que não se vê, mas vamos falar em obras sobre a terra, por exemplo o aeroporto Leite Lopes. O senhor disse que não investiria naquele aeroporto onde ele está hoje e mudaria de lugar. Tem essa ideia ainda?
João Gandini: Tem essa ideia sim. Eu gostaria que o Aeroporto fosse em outro local, o aeroporto internacional de cargas e de passageiros, um aeroporto fora da cidade, com toda a acessibilidade melhor e que pudesse elevar Ribeirão realmente ao século XXI.
Danilo Scochi: Nós temos um investimento agora do Aeroporto de R$ 200 milhões, quer dizer que está sendo jogado fora esse dinheiro?
João Gandini: Um investimento errado. Um investimento que se não tiver como reverter nós vamos fazer evidentemente porque a cidade não pode ficar sem a internacionalização, mas me parece que seria perfeitamente possível investir esse dinheiro em outro aeroporto, o de Florianópolis custou R$ 300 milhões, é um aeroporto modelar, que podia ser um exemplo para Ribeirão e o Leite Lopes ficaria para pequevas aeronaves, para helicópteros e para cursos que poderão ser feitos ali, por tanto, é possível ter dois aeroportos em Ribeirão e não um.
Danilo Scochi: Bom, o nosso tempo está encerrado candidato, já foram os 8 minutos.
Fonte: com informações de G1
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