sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Haddad quer brigadas de incêndio nas favelas extintas por Serra

O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, quer retomar o programa de brigadas de incêndio nas favelas, que foi implantado na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy. Essas brigadas foram extintas pelo candidato tucano José Serra, quando eleito prefeito da capital em 2004. De acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, durante o tempo em que Serra comandou a prefeitura (2005 - 2006), as comunidades ficaram sem qualquer programa contra incêndios. "Tínhamos um programa muito eficiente que treinava e equipava a população para evitar incêndios nas favelas. Infelizmente, o programa foi interrompido na gestão Serra/Kassab", lembrou Haddad.

Serra deixou a prefeitura e passou o comando para o então vice, e atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD). O aumento no número de incêndios em favelas na cidade tem se tornado um dos focos de críticas à administração do prefeito. Somente em 2010, teve início o planejamento do Programa de Prevenção Contra Incêndios em Assentamentos Precários (Previn), que visa a educação para a prevenção. No útlimo dia 3 de setembro mais um incêndio em favela chamou atenção. Dessa vez, o fato aconteceu na favela Sônia Ribeiro, onde mais de mil pessoas ficaram desabrigadas e onde o projeto piloto do Previn está instalado desde 2011.

O Previn foi criado na gestão de Kassab e tem colaboração da Sabesp, Eletropaulo e Corpo de Bombeiros, com o objetivo de desenvolver medidas para prevenção e combate a incêndios em pontos vulneráveis da cidade. O programa foi criado logo após a aprovação da Lei municipal 15.022, de 2009, de autoria do vereador Celso Jatene (PTB), que obrigou a prefeitura a idealizar uma ação de segurança contra incêndio nas favelas.

Diferentemente da proposta de Marta - que se baseava na montagem de equipes de moradores treinadas e equipadas com extintores para combater o fogo até a chegada dos bombeiros -, o Previn visa apenas a prevenção e concentra o trabalho contra o incêndio nos bombeiros. O programa consiste em ações educativas com os moradores, que recebem treinamentos preparatórios para atuar quando houver esse tipo de ocorrência, mas não distribui extintores, esclareceu a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, em nota. No caso da Favela do Piolho, o fogo começou por volta das 14h45 e os bombeiros levaram mais de 20 minutos para chegar ao local, quando vários barracos já estavam destruídos.

Brigadas de Marta
Em 2003, o Instituto de Pesquisas Técnológicas (IPT) fez um estudo sobre o número de incêndios nas favelas e montou o Programa de Segurança Contra Incêndio Comunitário na favela Vila Dalva, na zona oeste da capital. Na época, o técnico do IPT José Carlos Tomina comandou a operação. Cerca de 50 moradores passaram por um curso de 20 horas sobre prevenção de incêndio e como proceder na situação até os bombeiros chegarem.

"O resultado foi muito positivo, os moradores conseguiram controlar os fogos com segurança. Receberam extintores e capacetes para se protegerem. Como são moradores da comunidade, sempre conseguem achar mais rápido o foco", contou Tomina. A ideia do projeto, segundo ele, era diminuir os estragos nos barracos, já que leva tempo até os bombeiros chegarem ao local e o fogo se espalha rápido pela madeira. "Eles (bombeiros) são muito importantes para a situação de favelas, mas não dão conta, é muito rápido, quando chegam o fogo já se propagou", explicou o técnico.

Com o sucesso, o IPT apresentou a ideia à prefeitura, então comandada por Marta Suplicy. "Foi muito bem aceito, fomos contratados pela prefeitura para implantar o Programa em outras comunidades. A prefeitura assumiu todo controle, bancou os gastos, fez parceria com o Corpo de Bombeiros e com o SAMU", contou Tomina. O objetivo era implantar as brigadas nas favelas Maria Cursi, zona leste; Jardim Jaqueline, zona oeste; Cabuçu, zona norte; Viela da Paz, zona zul; e em um cortiço no centro. Já era setembro de 2004 quando os treinamentos foram feitos.

Em 2004, Serra venceu com 55% dos votos, contra 45% registrados para Marta, e assumiu a Prefeitura. O acordo com o IPT foi deixado de lado. Segundo Tomina, a única explicação que recebeu na época era de que a Defesa Civil assumiria o assunto. "Como a Vila Dalva é nosso projeto piloto, nós mantemos, damos equipamentos e extintores. Nas outras comunidades, cancelaram o serviço e o projeto durou menos de um ano, pois não houve substituição de extintores, nem a reciclagem dos brigadistas", disse. A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras confirmou que na troca de gestão o programa foi extinto.

Entre 2003 e 2006, mais de cem incêndios nas favelas foram combatidos por brigadistas, afirmou Tomina. Moradora da Vila Dalva (cerca de 5 mil habitantes) há 28 anos, a coordenadora dos brigadistas da comunidade Sandra Lúcia Martins lembrou que no início de 2005 os participantes do programa já começaram a contar apenas com o apoio do IPT. "Na época da Marta recebemos extintores da prefeitura, agora quando acaba eu peço para o Tomina e ele abastece. Nas outras comunidades não tem mais equipamento", contou.

Sandra afirmou que desde 2003 os brigadistas da Vila Dalva já apagaram 20 princípios de incêndio. Em todos os casos, segundo ela, os bombeiros foram chamados, mas já não havia fogo quando chegaram. Atualmente, a favela conta com 20 moradores treinados.

Incêndios em números
Só neste ano, já foram registrados 67 incêndios em favelas, segundo informações do Corpo de Bombeiros. Em 2011, foram registrados 181 incêndios em favelas na cidade de São Paulo; em 2010, 91; em 2009, 122; em 2008, 130; em 2007, 120; em 2006, 156; e em 2005; 155.
 
Fonte: com informações do Portal Terra

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